SOMBRAS ESQUECIDAS NO MANGUEIRAL
Sempre sou só.
Mesmo em meio às multidões,
mesmo cercado de vozes e risos, a solidão me acompanha como um corvo que ronda um cadáver no deserto.
Nada me pertence,
e a lugar algum pertenço.
Os que hoje erguem a espada contra mim são os mesmos que um dia me abraçaram em risos.
Por qualquer estrada que eu siga, encontro o mesmo destino.
O desprezo,
a indiferença,
as mortes sucessivas,
as sombras esquecidas no mangueiral.
E é quando tudo cala,
quando tudo dorme,
quando tudo morre.
É então que os silêncios pesam sobre as noites, e temo o escuro.
Mas não há saídas.
E sem saídas, o escuro, inevitável e só, acaba tornando-se meu refúgio mais fiel.
Nele, fecho os olhos,
e tudo, enfim, encontra o seu lugar.
Walterli Lima.





