Dentre as prisões mais seguras do mundo a rotina é a mais difícil de se escapar.
Aos poucos nos acostumamos com tudo.
A acordar no mesmo horário todos os dias
A prender os pés nos laços dos sapatos para em seguida andar sobre os passos de ontem
Passos sobre calçadas onde a paisagem é sempre mesma.
No concreto sem vida vidas mal vividas
Os mesmos se cruzam nas avenidas na fidelidade das horas sem perceber os anos caírem pelo chão.
A juventude se perde entre dias e noites sem fim
O rosto aos poucos dá moradia as rugas
E de corpo e mente institucionalizados
a rotina é incorporada como única verdade
E já não há mais saídas
Nem caminhos por fora destas grades
E a liberdade passa ser a maior ameaça.
Walterli Lima





