O que eu quero é a realidade nua da vida, não os espelhos do que pensam que eu sou.
Quero caminhar descalço, despido de excessos, sem o peso do olhar que julga.
Quero a loucura dos rios que se lançam ao desconhecido do mar
e mesmo perdidos não traem a própria essência.
Quero a lucidez dos que desistiram de caber nas expectativas do mundo, dos que caminham pelas calçadas sem reparar nas aparências.
A clareza que busco é a das flores que anunciam a primavera sem consultar o tempo, sem pedir permissão aos calendários.
De que valem os distintivos?
De que valem as condecorações
que envelhecem nas paredes?
O que eu quero é a paz serena dos bichos, livres da culpa, livres da necessidade de serem vistos pelo mundo , como a grandeza infinita das estrelas que brilham sem nome nem destino.
O que é grande não cabe nas explicações do mundo.
Walterli Lima





