O ÚLTIMO DIA DO ANO
Quantos ainda somos neste último dia do ano?
Quantas cadeiras vazias, pela morte ou pela distância?
Quantos nomes deixaram de ser chamados?
Quantas vozes se calaram antes que este dia chegasse?
Quantas histórias se encerraram sem jamais se repetir?
Quantos rostos se apagaram da memória?
As desavenças.
Os desencontros.
O corpo rendido às chagas.
Um escorregão banal.
As mortes sucessivas.
O último dia do ano não contabiliza apenas quem chegou, mas também quem ficou pelo caminho.
Soma presenças e subtrai ausências.
É o tempo lembrando que não espera por ninguém e que segue em frente, sem aviso.
Pare.
Olhe ao redor.
Quantos ainda estão ao seu lado neste último dia do ano?
O hoje é ponte, é travessia entre o que fomos e o que ainda podemos ser.
E se você chegou até aqui, agradeça.
Despeça-se das armaduras.
Guarde as espadas.
Alivie o peso.
Quebre a rotina imponente.
Renove a esperança na vida.
Há um propósito maior em permanecer.
Não espere tudo melhorar para tentar ser feliz.
Acredite, mas não deposite todas suas fichas no amanhã, pois o amanhã é estrada incerta para os planos.
Ninguém nunca possui o controle de tudo.
Atravessar 365 dias e chegar até aqui, é um milagre.
Simplesmente viva.
E agradeça.
Walterli Lima





