COLUNA DO PROFESSOR WALTERLI LIMA: CAIXA D’ÁGUA; HISTÓRIA ESQUECIDA

CAIXA D’ÁGUA: HISTÓRIA ESQUECIDA

Fotografias amareladas do passado.

Sólidas e frias paredes desbotadas.

O anônimo de rosto esquecido.

Caminhos de terra batida.

O índio, o nativo, o estrangeiro.

Gente reduzida a rastros.

E onde repousam seus passos?

Lembranças grudadas ao passado que, aos poucos, se vão.

Houve sonhos.

Houve risos.

Houve medos.

Noites mais escuras do que a memória conseguiu suportar.

A paisagem verde ladeando o rio resiste como se nada tivesse partido.

Histórias sem bocas ou línguas que saibam contá-las.

Grandes feitos e pequenos afazeres, entre o heroico e o cotidiano, escorridos na mesma valeta por onde escorrem as memórias.

Memórias que o tempo insiste em apagar, vagarosamente,

como a luz que se rende à escuridão.

Quem anda distraído pelas ruas não sabe de ti.

E eu, entregue aos pensamentos, às minhas próprias viagens, aos meus próprios labirintos, sou um viajante imaginário do que foste um dia, do que és e do que serás no amanhã.

Amanhã estranho a mim e a todos ao redor.

Mais tarde serei eu a história esquecida,

para poucos, lembranças em fotos e versos sem valor algum, enquanto a vida seguirá seu curso e pessoas se cruzarão pelas ruas, distraídas, trocando passos em vão.

Walterli Lima

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