Não repare, estou aqui de passagem.
Não tenho abrigo para o amanhã.
Ergui paredes que nunca me pertenceram.
Construí castelos onde não me cabem.
Eu, que jamais coube em lugar algum.
Estrangeiro de toda gente.
Estrangeiro de todo lugar.
Deserdado dos que diziam ser meus.
Cercado por rostos desconhecidos,
e ainda que se os conhecessem,
o que saberia eu deles?
Eu, estrangeiro de mim mesmo.
E quem diz saber de si, sabe ou imagina algo saber?
Eu, estrangeiro.
Walterli Lima





