
Os anos sempre fazem a vida descarrilar dos trilhos das normalidades.
Outro dia, ouvi críticas a respeito de um velho amigo de mesma profissão.
Acusação: não adaptou-se as novas tecnologias.
Ele, décadas e décadas acostumado com pó do giz encobrindo as sobrancelhas, não se encontrou diante das telas vivas dos computadores e como uma vitrola no centro da sala, depois de embalar as noites , de tocar a vida em frente, tornou-se obsoleto.
Lembrei-me do velho amigo em tempos passados levado pelos braços do ímpeto juvenil.
Sonhos impossíveis , planos arquitetados mudar o mundo inteiro no dia seguinte.
Ilusões que só a juventude é capaz de criar e que tempo sempre trata de esquecer.
Uma a uma.
Cabisbaixo pelas ruas, quase não é percebido.
No quintal, avisto meu velho pé de jaca.
Centenário.
Quem hoje ver-te de galhos secos e frutos pequenos não sabes o que fostes um dia.
Restou-me de ti a sombra que tu me fazes.
Não, não serei eu a entregar-te ao machado e a fogueira .





