Ele, homem normal,
não é herói nem marginal.
Máquina previsível, bicho funcional.
Aperta os nós dos sapatos.
Correto, ereto, de pé,
faz uma prece.
Seria hábito ou fé?
Trabalha, come, dorme e trabalha outra vez.
Confere os dias no calendário, espera o fim do mês.
No sábado, vai ao descanso, dilema entre o ser e o existir.
Sabe das flores, do sol, do canto, da morte por vir.
Ainda assim, decide seguir.
E se o sono bate, e daí?
Vai dormir, afinal, é domingo trivial na engrenagem da vida do homem normal.
Ele não é herói,
nem marginal.
Walterli Lima





