A ETERNA ANGÚSTIA DO EXISTIR.
O palácio, defronte à palafita.
A escola, em confronto com a rua.
O nobre, diante do mendigo.
O abastado, frente ao que sente fome.
O cão, diante do pássaro.
O velho, encarando o menino.
Quem será, afinal, mais feliz?
Quem será, de fato, mais livre?
Felicidade e liberdade não se medem, são moldadas pelo olhar de quem vê.
Uns temem a chuva, outros temem que ela demore a chegar.
Há os que temem o tempo passar, e há os que contam os dias à espera.
Há quem anseie por comida, e quem a tema.
Há quem tema a noite, e quem na noite, se liberte.
O trabalho, defronte ao ócio.
O dinheiro, defronte à abstinência.
A obrigação, defronte ao prazer.
A vida, defronte à morte.
Sempre há algo diante de outra coisa.
Opostos que se olham, que se cruzam, mas nunca se completam, nunca se saciam.
Insatisfação do ser.
Eis a eterna angústia do existir.
Walterli Lima





