O amanhã é utopia
É miragem no final da estrada em dia de sol
Inalcançável
Inexistente.
Nas gélidas trêmulas mãos infantis
No coração já cançado de pernas apressadas
Na ofegante busca pelas partículas invisives de oxigênio no ar
Os segundos atropelam as horas
O agora vive o momento seguinte a procura do instante futuro.
E ele não vem.
Simplesmente porque não existe
É mero artifício do tempo para seguirmos em frente.
A pressa é o mal do século.
Só o agora é real.
Final de tarde, ansiolítico do sol antes do adormecer.
Nas avenidas rotineiras dos dias
Apego-me a grandeza da imagem da criança de mãos livres ao vento sobre o velocípede
Sem o ontem , sem o amanhã
Por instantes o agora me consome
Toma conta do meu íntimo
E enche os pulmões de vida.
Vida que segue.
Walterli Lima





