A crise político-econômica teima e resiste à inércia do governo federal e tem produzido a indignação e revolta da sociedade brasileira.
O governo federal que, publicamente, ostenta sua fascinação pela violência e o autoritarismo “à lá nazista”; empreendeu um movimento com vistas à irrupção e quebra da democracia e a consequente instauração de uma espécie de ditadura – com uma nomenclatura de “Intervenção Militar Já” -, tendo o apoio incondicional de seus mais encarniçados e devotados mínions e gados (no dia 7 de setembro).
O epicentro desse movimento foi a tentativa de intervir nas instituições democráticas – STF e TSE -, consideradas como principais inimigas do próprio governo e, também, da nação; pois, afinal, todos os membros desses poderes são, ideologicamente, de “esquerda” e “comunistas”, na ótica do governo, e precisam ser varridos de suas respectivas funções e substituídos por outros idôneos magistrados forjados com espírito verdadeiramente – terrivelmente – “independentes”, “patriotas”, e defensores de uma “pseudodemocracia” sustentada por um regime de exceção – já que o golpe era prenunciado como o elemento singular de tal manifestação.
O pressuposto delineado pelo governo federal de implantar um regime de exceção, “fora por água abaixo”; pois, o golpe (que havia sido difundido não se materializou). Ficou patente uma realidade inquestionável: o governante brasileiro é um terrível blefe. Não sabe jogar politicamente, inverte a lógica do jogo e, por isso mesmo, sempre sai perdendo em suas tratativas mal intencionadas. Demonstrou mais uma vez, sua simbólica e risível faceta: a de um comediante em decadência.
Como não ocorrera o golpe intentado a “manada” estar revoltada com o seu líder politicamente fragilizado. O seu discurso extemporâneo teve como desfecho um pedido de desculpa formal aos membros da Suprema Corte e reconhecendo seus atropelos e “euforias do momento”. A carta escrita pelo ex-presidente Temer foi a fagulha no paiol para incendiar – torrar por inteiro – a minúscula personalidade deste natimorto presidente que, sequer, sabe rabiscar/esboçar algumas linhas analisando a própria conjuntura engendrada por ele mesmo. Em resumo, o movimento levado a cabo pelo presidente, com a perspectiva de instaurar um regime de exceção, redundou num retumbante fracasso e tornou-se motivo de pilhéria para toda a sociedade brasileira.
Nesse ínterim, o MBL – Movimento Brasil Livre – e o Vem Pra Rua, movimento criado em 2014, por Kim Kataguiri (hoje, deputado federal – DEM/SP) e Renan Santos, tem como principal bandeira a defesa do republicanismo e o liberalismo econômico. É um movimento político de extrema direita.
O MBL e o Vem Pra Rua, decidiram em conjunto, convocar para o dia 12 de setembro uma manifestação contra o governo federal e a favor de seu impeachment. Ambos desejavam construir uma frente ampla e democrática com as todas as forças políticas de direita, extrema direita, centro, centro esquerda e esquerda; porém, apenas aqueles com mais afinidade ideológicas confirmaram presença, a saber: Ciro Gomes (PDT), Isa Penna e Orlando Silva (PCdoB), Alessandro Molon (PSB), Alexandre Frota (PSDB), Tabata Amaral (PDT), Joice Haselmman (PSL), André Janones (Avante), Marcelo Van Hattem (Novo), o cantor Tico Santa Cruz. Em relação ao movimento sindical e social confirmaram presença apenas as centrais: UGT, CSB e Nova Central. Ou seja, a esquerda brasileira não apoiou e nem participou dessa manifestação convocada por esse movimento de extrema direita.
O clímax dessa manifestação revelou sua fragilidade política e sua negativa influência sobre o movimento sindical e social independente e autônomo. E por quê? Simples, o MBL é um movimento reacionário, conservador, defende a lógica do mercado – a famosa “mão invisível” – do ilustrado teórico liberal Smith; corroborou com a consumação do golpe parlamentar-jurídico-midiático contra a presidente Dilma – legitimamente eleita -, defendeu a candidatura tosca do atual presidente e, também, defende a política econômica de Paulo Guedes, seguindo a tradição do discurso do Estado Mínimo e as privatizações como alternativas para promover o desenvolvimento de uma nação. Com esse currículo, o MBL comprovou sua verdadeira incapacidade política para compor uma frente ampla, democrática e unitária para contrapor-se ao governo federal e suas atabalhoadas decisões.
Como esse movimento não tem base social orgânica, nunca vai ser um movimento com poder de mobilização como se constata com o MST, o MTST, os sindicatos combativos e independentes.
Apesar da ofensiva ultraliberal os movimentos orgânicos sociais de base, conseguem promover grandes manifestações, em defesa de uma sociedade plural, democrática, justa e solidaria.
O MBL e o Vem Pra Rua, são duas versões de uma extrema direita em completo desalinho com a política que é esboçada pelo governo federal e que são, em essência, objeto de mesma intenção: a defesa do liberalismo econômico. Esse sistema já deflagrou o seu objeto de per si: gerou um exercito de 14,5 milhões de desempregados, a fome reaparece e 24 milhões vivem na absoluta pobreza; a desindustrialização; a alta dos preços da cesta básica; o aumento do combustível e do gás de cozinha e a alta inflacionária e etc.
O MBL e o Vem Pra Rua, não são símbolos de resistência e luta por uma conjuntura política e social que tenha como prioridade o povo; a valorização do cidadão, pois, fazer defesa do liberalismo é o mesmo que afrontar a dignidade do ser humano. As medidas aprovadas pelo governo federal e com a anuência do MBL e Vem Pra Rua, como as privatizações, a terceirização, a reforma trabalhista, e, mais recentemente, a aprovação da PEC/32, é demonstração objetiva de que não desejam o bem da classe trabalhadora e nem do serviço público.





